Estratégias de Comunicação I e II em linha (IslaGaia 0708)

December 10, 2007

Aula 10

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Sumário: Ética e deontologia na assessoria de imprensa I - o «vai e vem» e a promiscuidade

1) (como já se viu) A assessoria de imprensa é a disciplina das Relações Públicas que se destina a estabelecer relações com os jornalistas; é a assessoria que se coloca entre os jornalistas e os protagonistas, com o objectivo de conseguir para estes a veiculação de mensagens positivas através daqueles:

 

2) Destinando-se a estabelecer relações com os jornalistas, com o objectivo de os convencer do mérito das suas mensagens (que eles as publiquem…), o jornalismo torna-se o campo de recrutamento ideal para a assessoria de imprensa. Ninguém, melhor do que ex-jornalistas, sabe o que querem/como pensam os jornalistas – o que é e o que não é notícia e como é que pode ser notícia;

 

3) O vai-e-vem entre jornalismo e relações públicas é um problema sem resolução até agora em Portugal (coloca problemas éticos, mas não tanto deontológicos, uma vez que nada o impede, desde que a carteira profissional seja entregue na CCPJ ao começar a exercitar a assessoria de imprensa); O jornalismo só é incompatível se exercido em simultâneo (estatuto do jornalista; art 3º)

 

4) Proposta de alteração do Estatuto do Jornalista prevê mudança, criando um período de quarentena (ponto 6 do artigo 3º); Há, contudo, quem defenda que a incompatibilidade devia ser permanente.


«No passado, insurgi-me várias vezes e publicamente contra o facto de haver supostos «jornalistas» que eram simultaneamente articulistas de opinião em jornais como o Expresso e patrões de agências de comunicação. Mas esta absoluta promiscuidade chegou a receber o apoio da classe, com o próprio Sindicato dos Jornalistas a propor que se equiparassem os profissionais das agências a jornalistas, com carteira profissional e tudo.»


5) Problemas éticos: alguém que trabalha como assessor de um político vai depois entrevistá-lo como jornalista? O grau de condicionamento ou dependência; A informação privilegiada, obtida noutro âmbito, será legítima? Um exemplo. Gera-se uma situação de promiscuidade.

 

6) A questão da dependência: o lugar de assessor, sobretudo na política, pressupõe uma questão de confiança pessoal (provavelmente mais do que profissional, embora possam acontecer casos destes), que se revela em cumplicidades e comprometimento; quanto mais confiança, quanto mais cumplicidade, mais dentro das questões – incluindo as mais melindrosas – estará o assessor;

 

7) As relações públicas são uma actividade desregulamentada (ao contrário do jornalismo), o que se reflecte em diversos factores, como o do vai-e-vem ou do próprio nome dos assessores (directores de comunicação, portavozes; consultores de comunicação)

 

8) Se as empresas de relações públicas ainda reivindicam um código de ética, os assessores individuais estão por sua conta e risco: podem fazer o que entenderem, porque ninguém os escrutina…

9) Importa reforçar esta ideia, já várias posta em prática: o conceito de assessor clássico (aquele que elabora “press releases” e fala com os jornalistas) está ultrapassado; é redutor; o assessor – como se verá em próximas aulas – é sobretudo um estratega de comunicação. Ou seja, está no núcleo restrito que tem responsabilidades na detecção das necessidades/objectivos até à monitorização do impacto (está em todas as fases). Poucos são os que não idealizam uma estratégia de comunicação (uma ou mais do que uma…), fazendo parte integrante dela;

 

10) Jornalistas têm de se habituar a um novo tipo de raciocínio: quem lhes liga, chama-se o que se chamar, não é o inocente, funcionário ou colaborador, que pretende publicar umas notícias; quem lhes liga é um agente participativo numa estratégia concertada, nada inocente portanto, que está envolvido em várias fases do processo – quando mais ambiciosa for a entidade representada ou a iniciativa em causa menos inocente é o contacto; (ou seja, designar assessor até pode ser muito redutor) O jornalista é inocente ou tem consciência? À medida que as estratégias de comunicação são mais complexas também são mais subtis, mais dissimuladas; para que o jornalista não perceba e não aumente as defesas (não desconfie); ora – voltando ao princípio – quanto mais dissimulada precisar de ser uma campanha, mais subtil, mais precisa desde o início da intervenção dos assessores na sua definição, logo na origem!  

 

11) Outsourcing: Algumas entidades optam pela contratação não de um assessor mas de uma empresa de conselho em comunicação (relações públicas), que apresenta várias vantagens e desvantagens (a possibilidade de integrar várias pessoas /competências no processo versus a confiança pessoal). Em muitas circunstâncias, as entidades têm um assessor (com este ou outro nome), que faz a ligação com a administração, e uma empresa contratada (depende das necessidades/ambições);

 

Uma lista de textos e casos:

http://irrealtv.blogspot.com/2006/07/vai-assessor-vem-jornalista-act.html






















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