Estratégias de Comunicação I e II em linha (IslaGaia 0708)

November 11, 2007

Aula 6

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Sumário: A assessoria de imprensa

[trata-se de uma aula que serve, sobretudo, para: a) enquadrar e conhecer genericamente a actividade; b) lançar as próximas cinco aulas, onde vários dos temas aqui tratados serão desenvolvidos em pormenor]

1) Das diversas áreas/ferramentas das relações públicas, a assessoria de imprensa é provavelmente a mais conhecida.

2) Basicamente, trata-se de intermediar a relação entre protagonista e jornalista; esse intermediário é o assessor de imprensa.

3) O assessor é uma fonte directa de informação, se de alguma forma puder ser citado (e isso acontece por vezes, seja em «off» ou em «on»), ou indirecta, se nos remeter para outras fontes (o protagonista que representa, por exemplo);

4) Como em todas as actividades das relações públicas, a assessoria de imprensa pode ter outras designações (assessor/ia mediático/a; adido de imprensa no caso das embaixadas; assessor de comunicação, etc.); assiste-se cada vez mais a uma «complexificação» da actividade, mas a designação mantém-se completamente válida na política. Seja como for - e mais uma vez - estamos a falar do mesmo: alguém que está entre os objectivos/necessidades do protagonista e os objectivos/necessidades do jornalista, dependendo do protagonista para realizar esses objectivos.

5) Algumas actividades do assessor de imprensa:

- preparar materiais para serem divulgados pela comunicação social através do jornalista (sejam preparados de acordo com as «regras» jornalísticas, chamados de ‘press releases’ [aula própria], sejam discursos), seja em difusão colectiva seja em difusão seleccionada (exclusivos); por isso muitos dos assessores são antigos jornalistas [aula própria];

- mediar a necessidade dos jornalistas contactarem com os protagonistas (e viceversa);

- escolher a forma/momento como o protagonista comunica com os jornalistas (em contactos directos, pessoais ou telefónicos/internet, em situações individuais ou colectivas; em contactos indirectos, via assessor ou atraves de documentos jornalisticamente tratados ou não);

- responder pelo protagonista (em nome deste ou como assessor de imprensa), definindo prioridades e gerindo a sua «agenda»; quase sempre em «off»;

- pensar e executar as estratégias de comunicação em função dos «hábitos» jornalísticos (adaptar a mensagem ao meio ou aos meios em concreto); elaborar os planos de comunicação [aula própria];

- reagir em momentos de crise [aula própria];

- estabelecer uma boa relação com os jornalistas e conhecer aqueles que - tematicamente - estabelecem uma relação profissional mais duradoura;

6) O assessor de imprensa pode ser contratado individualmente (geralmente a tempo inteiro) pela entidade/protagonista, geralmente com vínculo precário (na política) ou o serviço pode ser fornecido por uma empresa de relações públicas (provavelmente já não a tempo inteiro; conceito de outsourcing); Sobretudo no caso da contratação individual, e para além da competência técnica, é necessária alguma/muita confiança pessoal [aula própria];

7) Questões ético-deontológicas na actividade do assessor de imprensa. Se é certo que há quem defenda que «ao contrário do que pensa muita gente responsável, incluindo jornalistas, a profissão de relações públicas - e a assessoria de imprensa - regem-se por códigos de conduta e os seus profissionais vinculam-se a comportamentos éticos escrutináveis tanto no interior como no exterior do grupo que partilha o ofício» (Oscar Mascarenhas, prefácio ao livro «A assessoria de imprensa nas relações públicas», de J. Martins Lampreia, Lisboa, Europa-América, 2ª edição, 1999, pág. 9), a verdade é que a assessoria de imprensa está associada a comportamentos eticamente reprováveis: o assessor mente, ouve-se muitas vezes; o assessor trabalha para quem lhe paga (e não é o jornalista/a opinião pública), o assessor manipula a realidade para conseguir mensagens favoráveis; A assessoria de imprensa, tal como todo o sector das relações públicas, não está regulamentada nem pressupõe o cumprimento de um código de ética [aula própria];

8) A existência de assessores de imprensa não depende da vontade dos jornalistas; mas se eles existem que sirvam para melhorar/facilitar a comunicação; do ponto de vista dos jornalistas, é desejável uma relação profissional saudável (próxima no contacto; crítica na análise dos conteúdos);

9) A relação é, muitas vezes, conflituosa: há interesses divergentes e o assessor - sobretudo na política, mas não só - como tem de mostrar resultados (sobretudo se ‘vestir a camisola’), acaba por, muitas vezes, usar de meios menos correctos para conseguir o que pretende: transformar a sua ideia/mensagem em notícia, conseguindo a intermediação/credibilidade/publicitação jornalística. [aula própria]

[Em Os Homens do Presidente os alunos têm estado a conhecer o papel do assessor de imprensa, quer nas suas funções quer em termos éticos/deontológicos quer também na sua relação com o protagonista/patrão; em Os Homens do Presidente o assessor de imprensa deve ser entendido num sentido muito largo e vasto: assessor de imprensa não é apenas aquele que contacta, regularmente ou não, com os jornalistas, mas aquele que prepara os diversos tipos de mensagens que irão ser divulgadas no interesse desse protagonista (ver a definição dada no início da aula, a do intermediário); em Os Homens do Presidente, e neste contexto/conceito, assessores de imprensa são todos os que trabalham no departamento de comunicação da Casa Branca: CJ Cregg, Toby Ziegler, Josh Lyman e Sam Seaborn, para referir os dos primeiros episódios]






















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