Aula 5
Sumário: As empresas de relações públicas em Portugal (características gerais e serviços)
1) Contexto
- O marketing visa criar/adaptar mensagens em função de necessidades/objectivos (vender/lucro, credibilizar/notoriedade, prestígio, campanhas eleitorais/ideias, crentes/fieis)
- para «tornar o ‘produto’ conhecido e levar o consumidor até ele’, o marketing recorre a diversas ferramentas/técnicas: as mais conhecidas, a publicidade e as relações públicas;
- a publicidade é a mais frequente, abundante e fácil (sem qualquer tipo de intermediação/filtro, diz-se o que se quer, com um mínimo de limites);
- as relações públicas resultam da intermediação de alguém (sobretudo através da comunicação social); as relações públicas criam iniciativas/mensagens/ideias favoráveis a alguém/ou algo (pessoa, instituição, empresa) para serem transmitidas - por outro - ao público;
2) AS RELAÇÕES PÚBLICAS:
Uma definição de Relações Públicas: «Termo corrente e frequentemente substituído por outros mais actualizados como Relações com os Media, Comunicação Institucional, Consultoria em Comunicação, etc., e que, correspondendo a uma das mais antigas acções sociais no mundo, se profissionalizou como actividade no início do século xx, quando, nos Estados Unidos, o antigo iornalista Irving Lee planeou e executou uma campanha para modificar a imagem negativa que o magnata John D. Rockefeller tinha junto da opinião pública. Em Portugal, segundo J. Martins Lampreia (O Serviço de lmprensa nas Relações Públicas, 1983), as Relações Públicas (RP) surgem na viragem para a década de 60 do século xx, em grandes empresas multinacionais, mas só depois de 1974, com o desenvolvimento empresarial e académico se começaram a criar especialistas e técnicos, bem como departamentos específicos para lidar com questões que muitos confundiam com publicidade ou simples relações pessoais. As relações públicas são uma forma planeada e permanente de comunicação, de tipo bilateral, que visa criar e manter um bom clima de relações e de informação entre uma entidade (empresa, instituição, organização) e os públicos (externos e internos) a que está directa ou illdirectamente ligada, bem como projectar a imagem dessa entidade. Um desses públicos principais são os media (órgãos de informação e jornalistas), potenciais mediadores entre as mensagens estratégicas das RP e os públicos. Daí a canalização de muita formação das RP para os media (cada vez mais em versão editável), o que, em debates e análises sobre o actual processo de produção jornalístico, tem sido apontado, simultaneamente, como apoio ou interface importante para a actividade mas também um sério condicionante à selecção e investigação do jornalista. Os objectivos da comunicação das RP são a defesa ou promoção da actividade e da imagem da entidade, fonte da informação, mas baseiam-se na informação verídica, por isso devem obedecer a uma ética cujos princípios se regem por um código internacional». Fernando Cascais, Dicionário de Jornalismo, Lisboa: Verbo, 2001, pág. 167);
- Em muitos casos, as relações públicas são mais eficazes, mas mais difíceis de conseguir (depende que o outro aceite as propostas).
Como é que as relações públicas desempenham a sua função? Através de diversos serviços:
Ver esses serviços a partir do que fazem algumas das principais empresas a trabalhar em Portugal:
|
Nome |
Produção conteúdos |
MT |
A. I. |
Monitorização Clipping |
Planos MKT/EC |
Falam de ÉTICA? |
Lobby |
C. Crise |
Relações Públicas? |
| LPM |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Não |
Não |
sim |
| Citigate |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim (PA) |
Sim |
não |
| Cunha Vaz |
Não |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Não |
Não |
Sim |
não |
| Imago |
Sim |
Sim |
Sim |
sim |
sim |
Não |
Não |
sim |
não |
| Multicom |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
? |
sim | Não |
sim |
sim |
| Unimagem |
Sim |
Sim |
Sim |
Sim |
Não |
Não |
não |
sim |
sim |
3) Notas genéricas:
- Trata-se de um sector completamente desregulamentado (não previsto em lei), o que tem diversas consequências;
- Muitas das empresas nem referem o sector em que intervém (as relações públicas);
- EXiste uma associação patronal, de inscrição voluntária (APECOM); algumas empresas estão filiadas na APPM;
- Várias das empresas não têm páginas na net (sendo que a página da APECOM está cheia de erros: exemplo htpp://www.cec.online.pt/), ou estão em inglês;
- Mais importante: não havendo necessidade de inscrição obrigatória, não é possível saber quantas empresas existem, que clientes têm ou quanto facturam (em nome da transparência); Há uma lista com mais de cem empresas, enquanto a APECOM regista pouco mais de 20 (ainda que lá estejam quase todas as principais; o caso-LPM);
- Existe um código de conduta na APECOM (além de outros códigos internacionais) de cumprimento voluntário;
- Os serviços prestados têm as mais variadas designações, mas globalmente são os mesmos (há algumas excepções, como o lóbi; destaque para J. Martins Lampreia);
- Os serviços prestados vão desde a área central das RP ao marketing e à própria publicidade (por força de associações ou de grupos de serviço completo);
- O facto de não anunciarem um serviço não significa que não o façam…
- Não refiro a comunicação interna, serviço presente em todos, porque sendo um serviço de RP dirige-se ao publico interno (funcionários e colaboradores directos);
- As agências de comunicação/RP começaram nos últimos anos a trabalhar com políticos tendo em vista a ganhar eleições;
EM RESUMO: trata-se de um sector de analise complexa, pelo tipo de actividade desregulamentada e sempre nos bastidores. O relações públicas é, neste contexto, aquele que criar, para alguém ou algo, iniciativas/ideias com valor mediático para virem a ser notícia. Mas há muito mais actividades, a montante (definição de estratégias, media training) e jusante (monitorização, estudos de mercado) a que importa dar atenção.
