Estratégias de Comunicação I e II em linha (IslaGaia 0708)

October 28, 2007

Aula 4

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Sumário: Relações Públicas e Publicidade (do valor mediático à má imagem das relações públicas)

1) Sobre a publicidade:

- sofre genericamente de um problema de credibilidade (por ausência de um intermediário isento/independente do proprietário da mensagem)

«A publicidade não tem credibilidade. É a empresa [quando lança uma nova marca através da publicidade] a ser portavoz da sua própria ansiedade de vender»

(Ries, Al e Laura, A queda da publicidade.., Lisboa: Editorial Notícias, 2003, pág. 11)

- Mas há muito mais mensagens publicitárias do que através de outras ferramentas do marketing; basicamente por duas razões:

a) a publicidade não tem limites, a não ser financeiros, critividade e enquadramento legal mínimo (basicamente, cada um pode dizer o que quiser); «os publicitários são todos uns exagerados»;

b) à maior parte das mensagens publicitárias (sobretudo quando se trata de consolidação de marcas e não de novidades) não tem condições para ser tratada pelas relações públicas (não tem valor mediático);

Neste cenário, a publicidade procura a sua própria «legitimação» em alternativas que possam impressionar o consumidor:

- humor

- choque

- impacto

- figuras públicas

Teoricamente, o objectivo de cada mensagem publicitária é que fosse intermediada por alguém neutro (o jornalismo); não sendo possível, o grau de intermediação vai diminuindo:

Boca-a-boca (máximo)

Jornalismo

Publireportagem

Product Placement

Publicidade com legitimação externa (figuras ou declarações)

Publicidade sem figuras públicas (mínimo)

(algumas notas:
- jornalistas não podem fazer publicidade, mas já houve vários casos polémicos; as marcas tentam associar-se à imagem de credibilidade dos jornalistas;
<br>- a publireportagem tem de o dizer claramente (fica apoio na reprografia); Eis um exemplo curioso, da Notícias Magazine, que aparece identificado como publicidade, parece uma notícia, mas devia ser identificado como publireportagem
- o product placement não tem enquadramento legal; <br>
- as figuras públicas, através do seu prestígio (credibilidade) podem valorizar a marca: Pierce Brosnam e a cerveja Bohemia ou Scolari e a Caixa Geral de Depósitos;

- a legitimação externa pode fazer-se de outras formas, ainda que não todas iguais: 65 marcas de máquinas recomendam Skip, uma determinada sociedade médica recomenda determinado iogurte ou determinada cerveja recebeu 10 medalhas em concursos internacionais;

2) VALOR MEDIÁTICO: O que defendem as relações públicas é que os “donos” das mensagens se deviam preocupar em dar-lhes valor mediático antes de as lançar (para que pudessem ser notícia em algum lado e há diversos meios, especializados, onde pode haver uma notícia); valorizando os seus conteúdos, as relações públicas poderiam ocupar-se delas, em vez da publicidade.

LIVRO ESSENCIAL: RIES, Al e RIES, Laura, A queda da publicidade e a ascensão das relações públicas, Editorial Notícias, Lisboa, 2002
<br>

Ligações:
http://www.luispaixaomartins.net/fontes03.htm http://relacoespublicassemcroquete.blogspot.com/2005/08/queda-da-publicidade-e-ascenso-das.html <br>
Não há apenas relações públicas quando a comunicação social fala das coisas; a mensagem pode ser intermediada de outras formas (boca a boca, ainda que sem controlo…). Só que uma notícia vai chegar directamente a milhares/milhões e pode reproduzir-se indirectamente a muitos mais. Com o jornalismo as relações públicas atingem a sua plenitude;

<br>
Há situações de compatibilidade entre PUB e RP:
- situações em que o jornalismo só publica uma parte (uma lista de nomes ou de locais) ou até não aceita publicar nada; é preciso publica-la na integra, como publicidade - é uma alternativa válida (um produto financeiro, com determinadas garantias/regras, pode dar uma noticias, mas é fundamental fazer um anuncio complementar, não arriscar…); <br>
Depois há situações em que publicidade e RP não são compatíveis: SÓ MESMO PUBLICIDADE: - manter/persistir uma determinada imagem (diferente de CRIAR uma nova), é que não tem mesmo valor mediático; Mas pode haver publicidade que passe as fronteiras publicas (chocando, provocando, fazendo rir). Aí está a criar uma dinâmica de notoriedade, de intermediação, que põe muita a gente a falar. <br>
Ligação: http://www.desencannes.com/perolas/detalhes_alternativa.php?id=4
<br>

3) RELAÇÕES PÚBLICAS: As Relações Públicas são quem realmente constrói as novas marcas – dizem Al e Laura Ries <br>
Algumas situações de relações públicas:
- contratação de um arquitecto famoso para fazer uma obra e sua divulgação (vai criar uma imagem positiva para);
- dar o nome de uma marca a um estádio, a uma competição, a uma equipa;
- criar acontecimentos e atrair os media para eles (Superbock, SuperRock); a ideia/mensagem de cerveja não é noticia; o acontecimento é; a comunicação social vai falar sobre eles;

- criar acontecimentos mesmo que não sejam noticiados são comentados pelo público-alvo (uma festa numa discoteca ou a comunicação interna numa organização)
- encomendar um estudo (de opinião ou sobre a localização de um aeroporto) para ser noticiado (numa conferência de imprensa ou num jornal);
- além da Renova, especialista em criar publicidade que é pensada para dar noticias ou boca a boca/polémica, há o exemplo da Quebramar: uma empresa que, pela lógica, deveria fazer publicidade, mas que se preocupou em dar conteúdo comunicacional (valor mediático) à sua mensagem (para poder aparecer ou como noticia ou associada à noticias). Já vestiu o rei Juan Carlos e conseguiu assegurar presença no America’s Cup (se a marca aparece na vela de um barco não é como publicidade, mas pelo impacto que terá); Ligação: http://www.google.pt/search?q=quebramar&hl=pt-PT&lr=&start=0&sa=N

- a partir do momento em que uma campanha de publicidade é pensada para gerar polémica (tem valor mediático) podemos considerar que é um acto de relações públicas (até porque a campanha pode ser proibida e nem chega a ser vista…): «Anúncio choque de Toscani proibido»

- o caso Medinfar/Público

4) A má imagem (histórica) das Relações Públicas leva a que sejam conhecidas, por exemplo em Portugal, com outros nomes: empresas de comunicação, de conselho em comunicação, de comunicação estratégia, etc. 

October 21, 2007

Aula 3

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Sumário: O marketing II (da má imagem do marketing à compreensão das suas causas)

Algumas reflexões a partir do caso do peru-Bush:

CONTEXTO:

Dezembro de 2003, Bush é fotografado servindo o peru, num dos dias mais importantes dos EUA (o Dia de Acção de Graças, em que é tradição comer peru), visitando pela primeira vez as tropas no Iraque (visita rodeada de grande secretismo).

A imagem correu mundo e foi primeira página dos jornais do dia seguinte (e nas televisões desse dia).

Mas o peru era de plástico!

http://www.washingtonpost.com/ac2/wp-dyn/A33090-2003Dec3

Da aula anterior:
Afinal, até Jesus Cristo tinha uma ideia de marketing: foi com os milagres que convenceu a mudar milhares a mudar de religião (os seus contemporâneos, que tinham outras religiões); os milagres foram um acto de comunicação! (precisou de os fazer para convencer esses novos crentes)
Comunicar é a palavra-chave, mas comunicar de uma determinada forma – AQUELA que satisfaça as nossas necessidades/objectivos!
Ou seja, mesmo antes de haver um conceito chamado Marketing, já se tinha percebido que, para se conseguir um determinado objectivo, é preciso adaptar a comunicação; é preciso dizer aos outros que nós somos, fazemos, queremos, podemos.
O PRODUTO NÃO SE VENDE SOZINHO, quando há concorrência. O marketing é, portanto, a arte de comunicar para satisfazer determinados objectivos: aumentar as vendas, ganhar eleições, conseguir crentes (religião). Com a sofisticação da sociedade, com a liberalização, com o mercado, o século XX assistiu à criação do marketing como disciplina/ciência. O marketing sofisticou-se a ponto de existirem diversas armas a que se pode recorrer: a publicidade, o marketing directo, o merchandising, as relações publicas. São estas a nossa área de interesse. Mas quando parece que o autor/vendedor/proprietário da mensagem está a impingir/impor o «produto«, desconfia-se;

O jornalismo tem credibilidade: as relações públicas desenvolveram técnicas de dialogo com os jornalistas por forma a conseguir o seu interesse… Acontece que a concorrência é grande, todos os dias milhares (milhões?) de mensagens são passadas; há uma concorrência feroz e a luta pelo espaço mediático é enorme; as técnicas sofisticaram-se perigosamente: quase vale tudo para conseguir que determinado jornalista ou jornal publique determinada mensagem.

O caso do peru, por se ter sabido, suscita uma série de interrogações:

- porquê de plástico

- o que fazia um peru de plástico no jantar dos soldados

- por que é que o presidente pegou no de plástico

De acordo com relatos que vieram a público, os soldados estariam a comer peru vindo da cozinha, mas faltava uma imagem – tradicional nos EUA – do chefe da família, servindo o peru inteiro, antes de o partir. Era essa a imagem que faria a diferença, além de Bush de camuflado. Era preciso construir a imagem (adaptar a realidade, a comunicação aos objectivos comunicacionais da Casa Branca). Era de plástico? Sò correu mal porque se soube.

Mas isto remete-nos para o universo da má imagem do marketing: falso, artificial, «vigarice», manipulação.

Coexistem duas ideias de manipulação:

- aquela que escolhe da realidade existente uma parte e a apresenta (comunica)

- aquela que inventa, cria, artificializa a realidade existente (a mentira de alguém, o currículo falso, o candidato alterado no photoshop, e muito mais);

É esta que vai trazer má imagem ao marketing e aos seus técnicos (especialistas que são intermediários entre a opinião pública/jornalistas e os verdadeiros protagonistas e elaboram/escolhem a mensagem);

Quase sempre desconhecidos da opinião pública (na sombra); questiona-se a legitimidade democrática e o seu poder oculto;

Outras ideias:

- se considerarmos que o marketing é tanto mais eficaz quanto conseguir ser subtil (quanto – em alguns casos – conseguir iludir o espectador/leitor), há obviamente uma certa inevitabilidade nessa imagem negativa (exemplo: o product placement)

- publicidade muito chocante consegue efeitos mas desperta tambem má conotação (exemplo Renova: www.amorcausa.com, http://www.renovaonline.net/you_ipt.html proibida em França);

- Num determinado estádio realiza-se uma grande iniciativa (por exemplo musical), viabilizada pelos seus patrocinadores, que esperam obter retorno. Perto do estádio está um camião, estacionado ou «avariado», em lugar visível, de uma empresa concorrente, com publicidade a essa empresa. Chama-se «ambush marketing» (aqui e aqui)

- consequência: a culpa é do marketing!

[Outras vezes o marketing tem má imagem porque se confunde com vendas; mas vendas é sector comercial; os comerciais calculam os preços, em função dos custos, da oferta, da procura, tratam dos descontos e da distribuição – a forma como vão chegar aos locais onde vão ser comprados; mas é o marketing que ajuda a vender; assim: os comerciais vendem uma mensagem/produto pensado também pelo marketing]

Notas finais:

- o marketing tem alguma culpa própria pela má imagem (e outra é inevitável);

- o marketing não é só coisas erradas (pelo contrário)

- o marketing tenta combater essa má imagem criando novos nomes (que são a mesma coisa, como marketing institucional, assuntos corporativos);

- o marketing preocupa-se mais em comunicar a imagem dos outros do que a sua própria

Leitura recomendada: «As mentiras do marketing» de Seth Godin

October 14, 2007

Aula 2

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Sumário: O marketing I (da ideia de marketing às vantagens da intermediação)

Principais tópicos:

1) Em concorrência o produto não se vende por si próprio (é preciso lutar genericamente pela atenção das pessoas ou, mais especificamente, pelo espaço mediático)

[por produto entende-se tudo aquilo que necessitar de ser ‘comprado’ por alguém; comprar, neste contexto, não implica apenas dinheiro; podem ser notoriedade, popularidade, atenção, prestígio, etc.]

[por espaço mediático entende-se o espaço existente na comunicação social – jornais, rádios, televisões,    internet (desde que seja comunicação social) – e que é um bem finito; espaço mediático não engloba a publicidade, porque esta não é controlada por critérios jornalísticos; o espaço mediático é um bem precioso e   muito disputado]

2) Em marketing comunicamos de determinada forma para alcançar determinado objectivo

-Marketing consciente (aquele que nos interessa)

-Marketing inconsciente (aquele que fazemos todos os dias, de uma forma primária)

3) Marketing: Conseguir comunicar de determinada forma para conseguir vender o nosso produto a alguém [é perceber essas formas em concreto, essas e não outras, que será objecto da nossa atenção ao longo dos dois semestres]

«O marketing não tem culpa do que é. Até porque sempre existiu, desde que o homem das cavernas deu um jeito de matar o leão à vista do resto do grupo para mostrar que era o bambambam da tribo. E está em toda parte, até mesmo na menina que coloca o vestido mais bonito para conquistar o rapaz da esquina. O que ela está fazendo, sem saber, é marketing. Cristo subia no monte mais alto para falar aos discípulos. Ou seja: fazia o que era possível à época para ampliar a audiência. O nome disso, embora alguns torçam o nariz, é marketing. O cristianismo criou um genial símbolo de campanha – a cruz – até hoje imbatível como logomarca. Isto também é marketing. E, sem qualquer dúvida, na qualidade de candidato, Jesus Cristo é um sucesso absoluto, haja vista a avassaladora votação que vem recebendo desde que, há 2 mil anos, apresentou seu programa de governo aos homens de boa vontade. Bem antes dele, na antiga Grécia, já existia a técnica da pichação, como a que foi encontrada num muro das ruínas de Pompéia: "Vote em Publius Furius. Ele é boa pessoa. Só os ladrões votam em Vatia." Adolf Hitler descobriu a força das imagens, e inaugurou, via Goebells, o cinema de propaganda, antecessor do horário eleitoral gratuito. A televisão massificou as mensagens e os candidatos renderam-se à técnica de profissionais do ramo da publicidade. Até chegamos aos dias de hoje»

4) A ideia de markting inconsciente:

Quando mudamos a maneira de falar para conseguir algo; quando mudamos a maneira de vestir para conseguir algo; quando mudamos o nosso comportamento para conseguir algo; quando mudamos o que dizemos para conseguir algo… estamos a adaptar a «comunicação» (externa) para conseguir algo; é marketing

Pode ser inconsciente, mesmo quando há alguma consciência:

-O talho que antes se limitava a ter a carne e agora passa a ter concorrência e…

-Anuncia preços mais baixos

-Cria promoções

-Aposta na fidelidade

-Muda o seu interior, cria uniformes para os funcionários

Está a fazer marketing (a sério), ainda que não tenha disso consciência; a sério porque mudou para vender o produto

Se o talho decide fazer publicidade no jornal ou na rádio locais, mesmo que uma publicidade rudimentar, isso já deixa de ser inconsciente [o talho já tem uma estratégia de comunicação para vender o produto]

5) Tudo se torna muito mais complexo e sofisticado a partir deste exemplo simples do talho: quanto mais ambiciosos são os objectivos (lucro, reconhecimento ou poder) de quem comunica, mais complexa e sofisticada será provavelmente a comunicação

- a empresa que quer aumentar as vendas;
- o político que quer aumentar a popularidade e ganhar as eleições;
- a igreja que quer mais crentes;
- o clube que quer mais adeptos (e receitas)
- a fundação que quer mais visitantes;
- o indivíduo que quer mais reconhecimento social;

6) O século XX assiste ao nascimento do marketing como disciplina científica e global, fruto da sofisticação da sociedade, da globalização, da economia de mercado, da liberalização económica e de costumes

7) Algumas disciplina do marketing:

Publicidade

Relações públicas

Marketing directo

Merchandising

Marketing (responsabilidade) social

Product placement

E muitas outras, mais pequenas…

8) Critério para as analisar:

Qual é o grau de intermediação entre quem paga a mensagem e o seu aparecimento na opinião pública? [Intermediação: a existência de alguém, o mais ‘isento’ possível, que se substitui ao próprio dono – o que paga – da mensagem]

- Publicidade não tem intermediação (o que aparece é o que e como eu quero);
- Merchandising não tem intermediação
- Marketing directo tenta que o receptor experimente por si próprio
- Product Placement tem intermediação
- Relações públicas têm (muita) intermediação

A credibilidade (e eficácia) da mensagem aumenta à medida que a intermediação é mais forte (quanto mais forem outros a dizê-lo consciente ou inconscientemente por nós):

A melhor forma de intermediação é o «boca-a-boca» (worth-to-mouth)

A segunda será através do jornalismo

A terceira através de opiniões/actos de quem não suspeitemos que é pago para o dizer: a) o product placement; b) a publicidade que paga a conhecidos

9) Para analisar as relações Públicas: o caso Renova


10) Ideia final: O PRODUTO NÃO SE VENDE SÓZINHO… E PARA ISSO EXISTE O MARKETING

October 7, 2007

1ª aula

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Sumário 10/10/07: A cadeira de Estratégias de Comunicação I

Este é o blogue agregador da cadeira de Estratégias de Comunicação (ISLA/GAIA), ano lectivo 07/08. Aqui estarão os textos respeitantes a cada aula, os documentos essenciais e, principalmente, a lista dos blogues dos alunos. Também se aceitam - e incentivam - comentários (dúvidas, questões, pormenores) por parte dos alunos

A primeira é de apresentações: do programa, do funcionamento da cadeira e dos principais objectivos






















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